Odeio a mudança que me tenho apercebido que está a acontecer dentro de mim. Odeio-a. Odeio-me a mim sem nenhum tipo de armadura que me proteja da dor, da desilusão e do sofrimento e continue a fazer com que eu tenha expetativas sobre as pessoas que me rodeiam. Odeio isto. Odeio sentir-me dependente de alguém. Odeio precisar do outro para conseguir sentir alguma coisa para além de vazio. Odeio compreender que não estou a conseguir suportar-me. Odeio o vazio que está dentro de mim. Odeio a dificuldade em fazer alguma coisa. Odeio sentir que a minha gargalhada acontece mas é uma coisa do momento e, por isso, falsa. Odeio não sentir prazer em nada do que faço, querer sorrir e não conseguir e só me apetecer dormir. Odeio viver com um aperto constante no meu peito e, tantas vezes, ensaiar pequenas golfadas de ar porque sinto que não vou conseguir respirar mais. Não consigo lidar com a desilusão que (me) causei e é por isso que não tenho conseguido sentir nada para além de vazio ou um ocasional ódio em que me apetece mandar tudo à merda e simplesmente desistir. Por isso ou por ainda estar em choque porque não esperava... Na verdade não sei.