Sinto que não consigo ser coerente e que o meu cérebro não está, totalmente, a colaborar comigo. Só sei que estou onde nunca pensei voltar a estar e com aquela sensação que nunca pensei voltar a sentir. Desespero no nível máximo, pânico total. Não consigo deixar de pensar, de reconstruir na minha cabeça. Mesmo que por fora aparente uma estranha normalidade eu sei que não é assim. Afinal de contas eu já vivi semelhante... Só tenho que me esforçar muito para me lembrar que desta vez acaba por ser diferente porque desta vez eu tenho ajuda. E foi por isso que eu pedi ajuda. Mesmo que tenha sido no meio do pânico e que nem sequer me tenha feito sentido o que escrevi, quando li mais tarde. Mesmo apesar de ter acabado de (quase) sair de lá. A manhã de ontem parece que aconteceu há muitas vidas atrás. Nem a consegui processar porque não consigo processar nada depois disto. Só consigo tentar reconstruir as peças na minha cabeça para ver se lhes encontro um sentido que não vi ainda. A culpa é minha. A culpa é minha. A culpa é minha outra vez. Porque é que eu me desajudo em vez de me ajudar? Porquê? O meu cérebro não está a fazer sentido. Eu não sei o que digo, o que faço e o que sinto. Só preciso de aguentar até quinta. Só preciso de aguentar até voltar a entrar lá dentro. E acho que é desta vez que não quero sair. Vou com a tenda e fico lá. Não quero enfrentar o mundo cá fora.