Eu sempre senti que o nosso método de trabalho era demasiado semelhante e que pensávamos da mesma maneira. Eu sempre fiz força, na minha cabeça, para a ter do meu lado, mesmo quando toda a gente me dizia para escolher outras pessoas... Eu sabia que era a escolha certa. E, pelo menos, ia tentar.
E todos os dias, de todas as horas que nos cruzamos, eu sinto, cada vez mais, que fiz a escolha certa para mim. Eu podia repetir isto mil vezes e mesmo assim não chegava. Sinto-me tão confortável por saber que está lá, por saber que posso chatear de todas as vezes e por saber que se vai rir quando vê o esforço todo que eu faço por isto. Por saber que o apoio e o entusiasmo são mais que sinceros. Por saber que está ali.
Mas ontem... ontem foi muito mais do que isso. Ontem existiu uma linha qualquer invisível a ligar-nos, talvez eu estivesse disposta a isso, como em nenhum outro dia. Porque só ali é que percebi que estava demasiado sensível, que a segunda feira me tinha mandado abaixo... (burra, não sabes já isso? não sabes que mandam todas?!) Mas o melhor de ter um caminho definido e de ter uma linha de investigação que espero que não modifique mais... é ter a pessoa certa ao meu lado. É ter aquela pessoa que se preocupa verdadeira e sinceramente comigo muito para lá de um (importante) pedaço de papel. É saber que gosta de mim e que é por isso que pode parecer bruta. É saber que está disponível para me ouvir e que quer fazer perguntas e tem medo de as fazer porque pode intrometer-se demasiado na minha vida e posso pedir para se calar. Ontem houve uma altura em que comecei a tremer de todas as frases que dizia, parecia que me estava a descrever. Foi fazer com que me dissesse várias vezes que somos parecidas, muito parecidas, que estava a dizer-me todas aquelas coisas porque não queria que eu passasse o mesmo... Que gostava de mim, que me revia algures na pessoa que era. E depois eu sei que a conversa só terminou porque as horas mostraram isso, porque sei que tínhamos ficado ali mais tempo. Não fui só eu que senti tudo isto. Sei que não.
Ter-me abraçado quando nos despedimos fez-me compreender que tudo isto não lhe passou ao lado, que o que aconteceu ali dentro foi incrivelmente verdadeiro. Sou uma sortuda por estar a aliar uma excelente orientadora com uma pessoa extraordinária, que era o que mais procurava.