terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Ainda bem que estávamos lá quando recebeste a notícia. Se já te admirava, quando o teu marido morreu, passei a admirar-te mais quando te vi reagir à notícia mais inesperada de sempre. A forma digna como te comportaste durante os últimos dias... Espero que cada vez que te tenha dado a mão ontem no carro, tenhas entendido isso. Espero que não estejas a falar a sério quando dizes que és a próxima a ir... porque não és. Vais viver até aos 120 anos e já sem dentinhos. Diz que sim, avó. Diz que sim. Mas tu não disseste...


Podia não vos ver há mais de dez anos, mas, mesmo assim, acho que dei todo o apoio que conseguia. Os abraços dizem mais que as palavras. E estarmos todos juntos também. Termo-nos sentado em volta do aquecedor quentinho, na capela onde há umas horas estava o corpo da minha tia, vossa mãe, vossa irmã, vossa... Ela ia adorar. E eu adorei rever-vos, a todos, e sentir que a palavra família é tão forte, mesmo num momento como este...