terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Tu estiveste lá ontem. Estiveste mais do que eu pensei que fosses estar. Tinha entrado em piloto automático e só esperava que falássemos à noite. E no caminho, logo de manhã, tu ligaste-me. De manhã, no teu intervalo, assim que pudeste, voltaste a ligar-me. Podem ser cinco minutos mas mostra que estás lá quando eu mais preciso. Voltaste a ligar-me na hora de almoço. E foi aí que eu desabei. E foi aí que tu não estavas lá como devias. À noite, esclarecemos isso - e eu senti-me meio louca, para além de ter o cérebro queimado ainda ouço coisas - mas essa parte não invalida tudo o que fizeste durante a manhã, o estares sempre que podias. E fizeste bem; eu precisava de sentir isso, a tua presença ajuda a suportar tudo isto. 

Custa-me é o não perceberes como estou, quando me ouves. Custa-me estar a falar contigo a chorar e não perceberes. Sei que já falamos nisto mas custa-me porque hoje voltei a sentir a mesma dor. Custa-me estar completamente em baixo porque há feridas em mim e nem sequer ter um como estás? para me agarrar. É isso que me custa. Quando sinto que merecia só um como estás?, que demora dois segundos a escrever, para suportar o resto. Porque eu nunca falho um como estás?, nunca falho. Mas eu engulo, engulo na altura. Porque não mereces uma discussão quando estás a trabalhar. Não mereces uma discussão quando te vais divertir. E eu quero tanto que o faças. Mereces tanto divertir-te. Mesmo que eu tenha conseguido - finalmente - explodir sobre o dia de ontem e esteja a precisar de ti, mesmo que eu me tenha esquecido completamente que hoje à noite te ias divertir porque já só estava à espera das tuas palavras de apoio por ter explodido... Não tens culpa, não tens mesmo. Não tens culpa que eu tenha apenas explodido hoje, num dia em que não podes oferecer-me logo o teu apoio. Então eu escrevo aqui para não deixar que a bolha aumente de proporção, para que não fique com raiva, desiludida... E mais tarde vamos falar. E eu já sei como é que a conversa vai acabar. E sim, tenho paciência para a tua distração. Não faz mal. Eu aguento. Amo-te, mesmo que sejas a pessoa mais distraída do mundo. És a minha pessoa preferida (mais distraída) do mundo.

[Custa-me ter que atualizar dores; custa-me receber um "espero que estejas bem" quase uma hora depois de veres o que eu disse e depois de várias horas sem me dizeres nada. São estes géneros de coisas que me custam mesmo muito e que me fazem quase vomitar de nervos. Sentir que não mereço nada. É isto que me custa.]