Ela estava de óculos. Pretos. A falar com alguém. Eu ouvi a voz dela. Levantei os olhos. Estava a falar com o João. E ele viu que era ela. Eu vi que era ela. Senti que ela olhou para nós, numa fracção de segundos. Continuamos a andar, uns para a frente, os outros para o outro lado, e as minhas pernas ficaram a tremer. A Leonor está viva, pensou o meu cérebro.
Ele olha para mim, sorri e diz "há coisas que não mudam." e eu continuo a andar em frente, a respirar fundo, porque sim, há coisas que não mudam. Percebi isso claramente ontem.