quinta-feira, 17 de novembro de 2016

É inevitável, quando estou sozinha e para passar o tempo, quando estou mais angustiada ou quando olho para dentro e percebo que o aperto se instalou... eu sei que frases precisava de ouvir, que coisas precisava de ler. E corro até isso, acalmo-me, acalma-me. Vai fazê-lo sempre e não posso considerá-lo, de todo, um vício. Quando isso acontecer tenho que dar alguns passos atrás e perceber que não posso viver dessa forma, que já tenho questões que cheguem em mim, não posso juntar vícios

Sozinha dentro deste quarto - mas não escondida - voltei a fazê-lo e voltei a sentir a mesma sensação de final, como senti em julho quando o acabei a primeira vez. Voltei a sentir aquele aperto apertadinho que não deixa que respire, aquele sufoco e aquele pedido de ar para os meus pulmões. Porque falta tanto, porque tenho tanto que fazer, porque há dias em que a fraqueza me assalta o espírito e eu não sei estar sozinha com isto, comigo. Porque é que compreender o que há de mais profundo em nós nos dói tanto? Porque é que consegue ser tão doloroso ser? 

Eu sei que não devia de esperar, que já tive mais que a minha cota-parte e que já fiz mais do que deveria ter feito, depois dos dois impulsos a que acedi, mas eu continuo à espera de algumas palavras de resposta que venham renovar a luz dentro de mim. É o modelo de pessoa forte e convicta que eu sonho alcançar em mim, e que eu faço por alcançar, passinho a passinho, todos os dias. 

Hoje estou triste, hoje estou mesmo triste. O silêncio impõe-se e eu só quero que permaneça.