Lembro-me da normalidade e dos risos. Da certeza que senti durante a tarde de ontem de que fomos feitas para ser amigas e para possuir esta naturalidade, como se fosse absolutamente normal vermo-nos desde sempre. É por isto que nunca desisti de te ter na minha vida - porque desde sempre me deste isto. Desde sempre senti que encaixamos. Que há uma amizade pura, sincera, desinteressada e verdadeira. Não há cobranças, não há falta de palavras. E é tão bom sentir isto mesmo após tantos anos. E é bom sentir isto agora, que estamos muito mais próximas - muito mais do que estivemos durante vários anos.
E sobretudo senti que ontem te mostrei o lado de mim que é mais difícil de ver e que exaspera mais as pessoas que sabem que ele existe... o meu verdadeiro problema de criar pequenas ligações no meu cérebro que se tornam tão rapidamente reais e me fazem ficar absolutamente cansada de ser como sou. «Bem-vinda ao meu cérebro», repeti-te tantas vezes ontem, e ainda assim queres ficar?
Há tanta coisa que nos falta falar... E eu sei que tentaste, mesmo que não tenha sido consciente eu sei que querias percorrer esse caminho comigo e que eu meio que fechei a porta, não foi por mal, só senti que essa conversa iria demorar muito tempo, tempo que não tínhamos. Espero que estas tardes se possam repetir mais vezes durante os tempos que estiveres em Lisboa.