segunda-feira, 4 de julho de 2016

Um dia, gostava que entendesses que eu gosto de ti de uma forma que ninguém gosta; daquelas que perdoa todas as ausências e todos os "como estás?" que deverias perguntar mas não perguntas; daquelas que perdoa todas as vezes que te esqueces de me responder, nem que seja apenas a dizer-me que estás bem, só isso. A nossa amizade, para mim, nunca foi só um "estou bem e tu?" mas, ultimamente, anda a tornar-se muito nisto. E tenho medo. Mas já lá volto. Gostava que entendesses que gosto de ti de uma forma que ninguém gosta e que deverias valorizar-me por isso. Talvez o faças, à tua maneira. Mas o que eu sinto aqui dentro é diferente, é um querer que me valorizes à minha maneira. Um querer mais atenção, mais carinho, mais que estejas quando tu não estás. Não tens estado. Numa das piores fases de sempre eu não tenho contado contigo. E não quero dizer com isto que tens que me perguntar de cinco em cinco minutos como estou ou distrair-me com uma conversa que te venha à cabeça ... Não é nada disso. É só saber que te ouço e que tu me vais ouvir a seguir. Porque falar contigo o que tenho falado é sentir sempre um vazio de insuficiência; de não era isto que éramos e é isto que somos agora... E dói. E queria dizer-te isto tudo mas opto por me calar. Por ser forte. Por mostrar que não sinto nada disto e que está tudo bem, até porque tens vindo ter comigo mais regularmente na última semana. Até porque quando estou a escrever isto tu estás a desabafar comigo como fazias antes. Mas só hoje não chega, só umas horas não me chega quando eu estava habituada a tanto mais que isso - a madrugadas com insónias e contigo como companhia. Onde é que isso já vai? Parece que aconteceu noutra vida a outra pessoa que não eu. Parece que há um antes e um depois de mim, de ti e de nós. E quase todos os dias vejo coisas que me apertam o coração, vejo que dizes a outros o que queria que me dissesses a mim, o que acho que deveria ouvir, o que desejo semelhante quando chegar a minha altura. E isto vai doendo e eu vou deixando que doa, e vou calando, calando, calando. É mais fácil calar-me do que explicar esta dor que é tão semelhante tantas vezes quando se trata de ti... Eu só queria sentir que há um dar e um receber na mesma medida. E não há, não há e já acontece há tantos dias. Não te apercebes disso ou não te queres aperceber? Estás bem assim? Pois estás, só podes estar. Eu é que não estou. É a mim que me dói. Tu dóis-me tanto e eu não consigo deixar-te ir. Prefiro que me faças doer porque, ao menos, estás a fazer-me sentir alguma coisa. É sinal que ainda não foste embora por completo, mas, na verdade, tu só vens quando queres. Dás o ar da tua graça e vais pelo mesmo caminho por onde vieste. E eu fico aqui, sem entender se foi alguma coisa que eu fiz, se é assim porque tem que ser, se eu tenho que me tornar mais apetecível para não voltares a ir. A culpa só pode ser minha. Se calhar sou eu que não sou o suficiente para a forma como tu vives. E tenho que me adaptar a estes pedaços que me vais dando porque é melhor ter-te um bocadinho do que não te ter, de todo.