Não consigo continuar a saber que vão existir as mesmas conversas, de duas em duas semanas ou de três em três dias... Tu vais continuar a fazer com que elas existam. Tu vais pegar num qualquer comentário meu e vais fazer com que ele se transforme, de novo, no assunto que tu mais queres abordar. Tu vais continuar a insistir na história de que eu gosto de ti, que eu gosto o suficiente, que posso gostar de raparigas e de rapazes, que sempre fui feliz contigo até me ter dado um breakdown mental... E isto cansa-me. Deixa-me mesmo cansada. Porque tu não me ouves, tu não me queres ouvir... É isso que me irrita. Portanto para além de cansada estou completamente irritada. Já não sei o que te dizer para que tu me compreendas e não quero, de todo, ser a causa do teu mau-estar mental. E, no final da conversa de ontem, tentei ser o mais dura possível para que entendesses que ao continuares a enveredar por esse caminho que podes acabar numa depressão da qual eu não tenho culpa nenhuma. Não posso sentir que a tenho porque sempre fui o mais clara e sincera possível contigo, em todas as nossas fases... Não me podes acusar de te mentir ou de te esconder o que quer que seja porque nunca o fiz. E estou triste. Sinto-me mal comigo mesma por saber que tu podes ir por um caminho mesmo mau por minha causa mesmo que eu esteja a ser tão clara contigo... Mas não posso; não posso estar a preocupar-me contigo quando tenho tanto em mim para me preocupar. Não podes ser mais um problema a girar na minha cabeça. Tu devias fazer parte do porto seguro e não do que me faz querer fugir para longe. E agora... Agora és mesmo só isso. Portanto vamos afastar-nos. Vamos só falar quando tu vieres ter comigo. Vou só desejar-te sorte para os exames que sei que vais ter e vou ficar no meu canto quietinha. Tu precisas disso para me esquecer - ou, pelo menos, parar com estas conversas e histórias da treta - e eu preciso disto para ter só um bocadinho pequenino de paz. Pelo menos quanto a ti. Se me vai custar? Sim, vai. Mas tem que ser.