Eu sabia que precisavas de mim assim que me abraçaste. Eu sabia que podia ouvir-te e ajudar-te. Mas eu queria estar contigo pouco tempo porque sei que podia tornar-se estranho estar muito tempo. Já ver-te dois minutos é estranho... Não há forma de explicar... E, por isso, eu acabo por fugir um bocadinho ao encontro contigo.
Mas ontem não podia fugir porque sabia que não estavas bem. Então fiquei. Ficamos lado a lado a conversar, com as tuas mãos pousadas em cima das minhas. E eu com medo do que tu estavas a sentir por estares ali, assim. Acho que fui tão clara quanto podia ser. Sei que não sinto o suficiente mas sinto alguma coisa e, por isso, fujo. Sei que estou confusa como estava quando tomei a decisão de colocar um ponto final. E sei que tenho saudades tuas mas que isso não muda nada. Eu preciso de fazer isto por mim. E senti que tinhas percebido tudo o que eu estava a querer explicar-te e que não tens dúvidas nenhumas. Que sabes que a decisão que eu tomei foi o melhor para os dois. E que sabes que ainda não te perdoei o teres-me chamado egoísta...
A parte em que os nossos lábios quase se tocaram fez-me querer voltar a entrar naquele consultório rapidamente... É o que eu digo; eu faço-me ficar mais confusa. Sou eu a fazer isso comigo. Só eu. E é por isto que eu não posso estar contigo muito mais do que cinco minutos. Porque sabemos os dois o que pode acontecer e, desta vez, é diferente. É diferente de todas as outras vezes em que nos separamos e continuamos a ver-nos e a beijar-nos como se estivesse tudo bem só porque gostamos um do outro. Desta vez não está tudo bem. Desta vez eu não (me) ignoro mais.