A Rita começa a fazer de propósito para me ouvir falar em nela. Eu, pelo menos, sinto isso... Ter-me dito ontem que vivem perto uma da outra e ter gritado por ela hoje comigo sentada à frente dela...
O João estava a aparecer. Eu já a tinha visto a sair do edifício pelo canto e virei-me para o João, estiquei a mão para o chamar. Ao mesmo tempo que a Rita chama por ela. Ou ela pela Rita. E ela passa atrás de mim. Quase me toca na mão... Desvia-se. Fala com a Rita, riem-se. Brincam uma com a outra. E eu engulo e foco-me no João e na sua conversa sobre ter sono. Ela vira as costas e começa a ir embora. E eu foco o olhar nas costas dela até deixar de a ver. Depois fica um silêncio estranho. Olhos nos olhos com a Rita. E eu continuo a sentir que falar nela ou pedir ajuda para que ela saiba que eu existo é algo ridículo. Porque eu nem sei o que isto é.