quarta-feira, 20 de abril de 2016

Ontem: Estava no café a comprar alguma coisa para lanchar e vejo pelo vidro um cabelo loiro a passar para fora, para o pátio. O meu coração ficou apertadinho. Podias ser tu. Podias mesmo. Mas podias não ser. Mas eu sabia que eras. Eu sabia que eras tu porque o meu coração só fica apertado assim quando és tu. 

Eras. O teu perfil, de óculos. Tu a fumar. Tu a conversar com quem estavas. E eu, sentada no banco, sozinha, a comer o meu croissant e a pensar que gostava de ser uma dessas pessoas. E tu, linda, a atender o telemóvel. Tu a seres tu na tua vida. E eu na minha.

E depois das aulas, com a Rita no túnel, com ela a fumar um cigarro antes de ir para casa... Tu passas. Tu passas por nós. E tu não a vês. Porque se a visses tinhas falado. Mas não a viste. E o meu raciocínio foi interrompido por uns segundos que mais pareceram vários minutos. E eu tive medo que a Rita percebesse que por detrás dela estavas tu a passar e que, por isso, o meu raciocínio tinha sido interrompido. 

Tu e a força dos teus olhos. Tu.