domingo, 10 de janeiro de 2016

«O meu grande problema em relação a ti é que eu te idolatro desde antes de te conhecer. Então, para mim, tu és a melhor pessoa e desculpo tudo o que tu fazes pelos momentos em que eu sinto que tens que me dar mais mas não dás. Eu sei que tu tens um feitio difícil. Eu sei que tu tens defeitos. Eu sei que não gostas dois dias da mesma coisa. Não é isso que se trata aqui. Porque eu respeito quem tu és e gosto de ti como és. É que eu desculpo todas as vezes que tu me fazes sentir triste, tal como já te disse. E são muitas. E o pior é que quando eu te digo o que me estás a fazer sentir tu não o levas a sério. E quando eu me queixo que tu eras diferente para mim, antes, tu dizes que não e eu já não tenho provas que eras. Mas tu eras. Tu fazias-me surpresas. Tu mostravas que gostavas de mim. Eu disse-te isto e a tua resposta foi "só meto fotos com o João", por exemplo. Mas é mentira, Inês. Olha para o teu instagram e para o teu facebook e percebe como me fazes sentir que me deste uma desculpa qualquer para me calar. 
Eu preciso de ser cuidada. As amizades precisam de ser cuidadas. E com isto não digo que temos que falar todos os dias, a toda a hora, não é isso. Eu acho que tu agora tomas-me por garantida porque percebes que eu vou estar sempre para ti. Será que é isso que está a acontecer aqui? Eu sinto que tu deixaste de me dar valor e eu sinto isso há muito tempo. Eu tinha decidido que não te ia dizer isto porque estás mal mas eu encontrei esta frase e só me lembrei de ti. E depois as palavras começaram a desenhar-se na minha cabeça e têm que sair. Tu tens que saber. Tu tens que ouvir o que eu te digo e fazer com isso o que achares. Disseste que sabias que eras uma merda, mas entendes a complexidade do que me fazes sentir? Fazes-me sentir que eu me dou mil vezes mais do que tu te dás. Que eu sou mil vezes mais para ti e que cuido mais de ti, de tantas formas, do que tu de mim. E tu pediste espaço, ontem, disseste que vinhas ter comigo, que eu esperasse por isso. E sabes o que aconteceu? Eu fiquei à espera. E tu não vieste. A minha ideia era não ir ter contigo até vires ter comigo mas vi esta imagem e explodi. Está explodido.»

O que uma simples imagem faz... E o que tu não fizeste. Não me culpo por ter enviado isto. Não me culpo por ter tentado resolver uma situação que me dói. Eu não me culpo. Culpo-me, levemente, do momento em que o fiz porque sei que não estás bem e a minha ideia era dar-te apoio. Mas quando tu decidiste que não me falavas depois de teres prometido que o fazias... Eu também posso decidir explodir por coisas guardadas dentro de mim. Se não te preocupas comigo, porque é que eu me vou preocupar contigo, não é? 
Mas eu estou preocupada. Mas vou deixar de estar. A partir de ontem eu vi o que tu queres; tu queres que te deixem em paz porque não estás bem. Tu queres estar sozinha, contigo, em ti. Tu queres o que tu queres e eu não faço parte nem mereço um bocadinho de consideração. Só faço dramas, apesar de poder ter razão. Escolho mal o tempo, pedes desculpa por seres cabra, E ainda acreditas que eu estou a ser rancorosa por te desejar paz? Não, não estou. Desejo-te mesmo paz, que é o que queres. E desejo que fiques bem. E desejo para mim própria saltar fora porque nunca devia ter metido os dois pés dentro. Agora estou a colher o que semeei. Fui má para mim, devia ter cuidado mais de mim. Mas começou, essa luta começou agora.