Eu sei que preciso de escrever porque escrever me desenrola os pensamentos, todos embrulhados. Eu sei disso. Mas escrever também torna tudo o que eu sinto real. A escrita é quase que deixar de ter um segredo, expor-me, ficar nua perante todos os que me lêem. E eu não gosto de me expor. Ou melhor, eu gosto. Mas prefiro que poucos percebam exatamente o que exponho. Que só percebam aqueles que conhecem as entrelinhas do meu cérebro. Esses têm direito de as ler e as descobrir, as analisar, como se eu fosse um livro por ler e a cada enredo que escrevo lhes desse mais. Eu estava a dizer que preciso de escrever. E é verdade. Mas também tenho medo de o fazer. Porque sei que as letras me vão levar a ti. Já os pensamentos me levam a ti. Os meus olhos desejam ver-te a cada passo que dou. Procuram-te mesmo sabendo que não estás. Eu tenho medo que tudo me esteja a levar a ti, que eu não consiga ultrapassar estes dias em que me sinto tão estranha por ser invisível. Eu não gosto de ser invisível e é por isso que penso tanto em ti. Porque é um mistério para mim a forma como me tornaste invisível. Eu já não tenho uma grande auto estima, admito, mas ultimamente anda pior. Desde que tive a ideia brutal de carregar no botão sabendo que, provavelmente, ia acontecer o que agora está a acontecer. Não entendo e sei que enquanto não entender - ou não te voltar a ver - tudo isto vai andar num canto do meu cérebro quase como alarme. Volta e meia e toca. Deve ser por isso que desejo tanto ver-te. Mas não devia. Não devia mesmo.
E já está... És tão real aqui como nos meus pensamentos.