quarta-feira, 11 de março de 2015

Disseram-me que as coisas más acabam assim; como a nossa; sem qualquer explicação. O que me está a fazer impressão é que, para mim, nós somos uma coisa boa. A nossa amizade era  dos grandes orgulhos que eu tinha. Que eu ainda tenho. Tu demonstraste-me que posso esticar a minha corda o suficiente se for para lutar por alguém, nem que seja só por um pequeno sorriso. E esse é dos ensinamentos que levo comigo. Eu já sei lutar. Claro que cada pessoa é única e que me vou queixar muitas vezes por não saber o que devo fazer a seguir mas já sei que sei. O que eu não sei e gostava muito de ter sabido é qual é a sensação de puxarem por mim. De tu puxares por mim, mais especificamente. De eu merecer tamanho reconhecimento da tua parte. Porque não mereço. Tu mereceste-o da minha. Vezes e vezes sem conta; apenas analisando os factos, sem qualquer tipo de mandar à cara coisas que não fizeste. Não preciso disso quando sei que os factos estão do meu lado. Provavelmente, se formos a ver, a tua versão da história é diferente da minha. Acaba sempre por sê-lo. Mas eu consigo mostrar-te múltiplas vezes nas últimas semanas em que eu lutei e em que senti que tu fizeste alguma coisa que me fez sentir especial. E comparando-as? És muito mais importante para mim que eu para ti. Verdade nua e crua. Eu lutei. Eu tentei ao máximo fazer-te sentir bem. Eu rebaixei-me por ti. Eu fiquei sempre por baixo. E tu ficaste a pensar que eu ia fazer isso continuadamente. Pois, não vou. Tu não queres lutar por mim. Tu não me queres na tua vida. Porque se tu quisesses, a verdade é que já mo tinhas dito. É tão fácil dizer "não vás embora" e tu não dizes. Aliás, não me dizes a mim. O problema aqui sou eu. Se a variável fosse outra o resultado era claramente diferente. É por isso  que eu vou saltar fora. Sinceramente, é por isso que eu já saltei fora. As frases que me viste enviar-te ontem foram simplesmente por preocupação e uma tentativa da minha ignorância de achar que estavas a mostrar alguma coisa em relação a mim. Que ias lutar. Mas não era. Sou só muito ignorante e muito estúpida. Tenho que deixar de o ser. Tu já me mostraste que nem te preocupas comigo sequer. É por isso que o silêncio vai fazer parte de mim. Um dia, dois dias, três dias. Até a falta que me fazes se ir evaporando. Espero que se vá evaporando porque custa-me incrivelmente viver com um buraco no peito que sei ter o teu nome escrito. 
Eu achava que não ia perder mais amizades mas a vida está sempre a fazer-nos aprender. Levar patadas. Obviamente que todos os dias, semanas, meses, anos, vamos perder alguém. Vamos distanciar-nos de alguém. E só fica e luta quem quer. E tu não queres. E o problema para tu não quereres sou eu. Vou deixar de o ser. Se queria que lutasses por mim? Sim, queria. Se lutasses agora eu ponderaria tentar mais uma vez? Obviamente. Se tenho saudades tuas? Tenho. Se quero discutir? Não quero já há muito tempo. Se acho que a culpa foi minha? Uma pequenina parte, sei demonstrar onde exatamente. O resto é tua? Sem toda a dúvida.