Nós temos uma discussão gigante. Tu apontas o dedo a tudo o que achas que eu ando a errar. E eu, mesmo apesar de achar que estás a milímetros de deixar de te importares comigo, pego nesses erros e transformo-os em pequenas surpresas. Para ti. Não nos dias maus. Mas nos bons. Nos dias bons a seguir à discussão gigante. É o que eu tenho feito. Tenho ido buscar forças onde não existem e penso que tenho que te mostrar que estás errada. Que ainda és importante para mim, como eras. Que não mudou nada. Porque tu mereces sentir que gostam de ti. E eu quero que tu sintas que eu gosto de ti.
E eu... eu baixo todas as armas e muros e digo-te "preciso de sentir que sou importante para ti"... E o que é que tu fazes? Pois bem. Nada. Não fazes rigorosamente nada. Respondes ao que te digo e mais nada. Não crias conversa, não fazes surpresas, não dás boas noites mesmo sem estarmos a falar. Não fazes nada... E eu pergunto: é isso que eu mereço? Um nada? Pelos vistos é. Mereço sentir-me zero.
Isto assim não vai durar muito porque eu, para me defender, vou voltar a ser fria... vou afastar-me. E depois a culpa vai ser minha porque vou ser eu que vou ser fria. Mas não vai ser minha porque eu não vou criar discussões. Não vou! Eu disse que ia ser boa e vou ser boa. E ser boa é não criar discussões. Estou a fazer isso por mim. Não me vai saltar a tampa. Vou sentir-me zero daqui para a frente mas não me vai saltar a tampa.