O que mais me custa é perder o chão tão rápido e nunca saber se cheguei a cometer algum erro. Porque tu nunca falas nisso por muito que eu te te faça falar. Eu já pedi que o fizesses, se eu cometer algum erro, diz-me, aponta-me o dedo. Tu preferes calar-te. E isso faz-me perder o chão. Mas não te preocupes, eu aprendo rápido também. Eu vou aprender contigo. É só aperfeiçoar a técnica. Limar-lhe os últimos retoques. Ficará pronta num instante. A partir daí ... Andarás tão à nora como eu. Não que eu te deseje isso, no fundo ... Não desejo. Acho que nunca o consegui fazer ... Mas continuo a tentar. Hei-de ser tão boa como tu a fazer o que tu fazes. Por muito que não faças por me magoar espetas-me facas em todo o lado quando preferes o silêncio.
Adoro escrever mensagens e apagá-las sem as enviar para que a raiva passe. E depois enfiar-me debaixo dos lençóis. E fechar os olhos. E acordar de manhã com vontade de te abraçar. Lembrando-me que te tinha raiva antes de fechar os olhos. E deixar esse sentimento apagar-se ao longo do dia. Para que volte à noite. Porque sinto sempre que me tiras o chão, do nada. Mantém o teu silêncio porque isso só faz com que a minha raiva continue.