É nestas alturas em que eu escrevo e me lembro que tu és das minhas leitoras mais assíduas, que me lês, que bebes as palavras que escrevo na esperança de me apreenderes a alma. Lamento, portanto, que eu vá referir o mesmo assunto novamente, mas tem que ser. Tem mesmo que ser. Eu jurei que não o faria quando me falaste de manhã. Jurei que não ia mostrar o meu desapontamento, a minha desilusão e a minha tristeza. Mas caramba, se não o faço aqui, expludo numa outra altura e não quero. Para além de que as coisas entre nós têm que ser bem resolvidas. Eu sei que podes pensar que sou cobarde por estar a escrever em vez de ir ter contigo e to dizer. A verdade é que eu podia fazê-lo mas sei que isso te ia fazer sentir mal. Até a mim faz. Até escrever aqui sobre isto me faz mal. Até pensá-lo me faz mal. Faz-me sentir que, afinal de contas, não devo ser tão assim de confiança. Faz-me perceber que por muito que eu me tenha entregue a ti, sem qualquer medo, tu não o fazes comigo. Sei que há coisas que não se contam porque já falamos neste assunto algumas vezes e por muito que não queira voltar a ele, está sempre no meio de nós. Nós temos este buraco no meio de nós que me mostra, a mim, que há sempre alguma coisa de ti que eu não sei, que não posso ajudar. Que não consegues confiar. Por isso ... Tu nunca te conseguirás entregar a mim. Não na totalidade. E isso magoa-me. Magoa-me o mais profundo de mim. Faz crescer um aperto ainda maior que o aperto de quando alguém que amo está mal.
Eu gosto tanto de ti e só quero conseguir ajudar-te. Eu gosto tanto de ti e não queria sentir este buraco imenso entre nós. Isto tudo faz-me sentir mal, faz mesmo. Mas ainda me faz sentir pior tu estares mal e não me dizeres o que é, tu estares mal e teres que ser tu a lidar com isso sozinha. Eu sei que, provavelmente, não poderia ajudar-te, mas consolava-me saber o que era. Saber com que monstro estás tu a lidar.
Desculpa se te fizer sentir mal ao ler isto, não era minha intenção. Simplesmente precisava de mandar cá para fora todos os meus desordenados pensamentos sobre o teu monstro. És mais que linda, baby.