De repente lembro-me das tardes passadas em tua casa por entre livros, folhas, cadernos, canetas e lápis, computadores ligados, segredos trocados. Palavras ditas e reditas, uma e outra vez. Lembro-me de textos inspiradores, de choros rapidamente calados, de uma amizade mesmo forte. Lembro-me de adormecer numa cama e conversarmos em voz baixa até tu vires para o meu lado, miminhos antes de dormir. Lembro-me e relembro-me. E tenho saudades. Odeio-me por tudo o que nos aconteceu. Quem me dera conseguir voltar atrás e reescrever-nos. Mas, se o fizesse, sei que não seria a pessoa que hoje sou. Então fico-me pelas saudades. Mas quem me dera. Quem me dera voltar a tudo isso contigo. Mesmo lá atrás e ir refazendo o que fiz mal, o que fizeste mal, o que fizemos mal. E permanecermos juntas sem nada do que nos aconteceu. Eu amo-te pelo que fomos. Mas agora amo-te agora por não desistires de nós.