Acho que te vi. Estavas a correr, quase à chuva, com aquela tua camisola azul. Sei que correr te faz bem, te faz esquecer o que quer que estejas a passar e te faz sentir livre. Podias não ser tu mas gostava que tivesses sido porque assim sei que estás bem. Ao longe mas estás. Isso é bom.
Ultimamente não sei como estás, sabias? Perdi o acesso ao teu lado escuro, perdi o acesso e não o consigo recuperar porque para isso tinha que falar contigo. E não é que tenhamos tido uma conversa agradável da última vez e nada mudou deste aí. Pelo menos na minha cabeça. No que sinto. A verdade é que de nós as duas eu sou, ainda hoje sim, a pessoa mais magoada com tudo o que aconteceu. Fui eu que sofri mais com isto, digas tu o que disseres, penses o que pensares. Sou eu que ainda hoje recolho os pedaços de mim que perdi naquela altura. Perdi-me e, na verdade, acho que ainda não me encontrei. Acho que nunca mais me vou encontrar porque o bocado que perdi ali foi enorme. Por outro lado, o facto de te ter dito tudo o que sinto, naquela última conversa, fez-me sentir mais leve. Agora não estou leve, porque te vi. E porque estou a explodir que me custa não saber como estás mas que não vou mudar nada quanto a isso. Talvez, num lado qualquer que desconheço, me faça bem não estar a saber como estás a cada vez que ligo o computador, quando o faço uma data de vezes por dia e em todas elas verifico o teu lado escuro um bom milhão de vezes.