«Não percebo como é que alguém consegue ser tão estúpida. E fazer com que eu continue a acreditar que é possível termos uma amizade. Não é. A cada vez que ela me espeta uma faca no coração eu percebo que não é. E depois ela consegue ser mesmo horrível e achar que a culpa é minha. Culpar-me do fim (...) e continuar a culpar-me quase dois anos depois. Sempre. E fazer disso o motor para a sua raiva contra mim. Eu tenho que perceber que não dá mais. Que eu tenho que conseguir andar para a frente. Sem ela. Porque a cada vez que tento me afundo mais.»
O problema é que eu tento. Sempre. Sempre que ela volta eu tento. E depois, quando me magoa, eu odeio-me por ter tentado. Mas depois ela volta e eu esqueço que ela me fez mal (não, não esqueço, lembro-me bem, por isso é que não lhe conto nada meu há tempos) e volto a tentar de novo. Eu sei que sou burra e que tenho que deixar de ser mas parece que tenho sempre que lhe dar mais uma oportunidade para ela me mostrar que afinal não mudou como diz. Aliás, ela pode ter mudado para os outros mas para mim não mudou. Ao contrário, eu mudei para ela. Mudei do 8 para o 80. Ela comigo agora não sabe o que esperar. Sou totalmente imprevisível. Não sou a miúda querida e ingénua que era. E ainda bem. Se não gosto de uma coisa que ela diga, a mínima que seja, ela saberá. E dará discussão, claro. E depois a culpa é minha. Pois, deve.